Embaixador da Canon: Gary Knight


Aos 14 anos de idade, Gary Knight, inspirado pelo trabalho dos fotógrafos que cobriram a Guerra do Vietname, incluindo Don McCullin, Philip Jones Griffiths, Larry Burrows e Tim Page, soube que queria ser fotojornalista. Menos de 10 anos depois de se ter tornado fotógrafo profissional, ficou conhecido por ser um dos principais jornalistas em zonas de conflitos e pobreza. Ganhou muitos prémios e presidiu ao júri do World Press Photo em 2008
Qual é a história destas fotografias?
Estive na Índia durante um mês por 2 motivos. A cada dois anos, faço um workshop na Índia com um dos meus melhores amigos, Philip Blenkinsop. O segundo motivo é o facto de estar a fazer um estudo muito longo da Ásia que começou há cerca de 22 anos e ao qual me dedico ocasionalmente.
Estou a tentar não ser prescritivo em relação à forma como represento a Índia ou o resto da Ásia – este trabalho faz parte de um registo que me leva a todo o continente. Não procuro imagens que digam alguma coisa em particular. Estou apenas a ser curioso, a responder a sugestões ou impulsos e a viajar para qualquer lugar que faça sentido na altura. Não estou a tentar fazer passar nenhuma mensagem; se estou a tentar fazer algo para além de expressar a minha curiosidade é abordar a Ásia de forma antropológica e não de forma jornalística.
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Um autocarro sobrelotado, Rajasthan, Índia, Janeiro/Fevereiro de 2011.
© Gary Knight. Embaixador da Canon Fotografia tirada com EOS-1V; EF35 mm f/1,4L USM, Exposição 1/125, f/22, 35 mm, ISO 400 
Esta fotografia parece muito espontânea. Foi planeada?
Não. Estava a beber chai com o Philip nos arredores de Jodhpur, passou um autocarro e utilizei película. O autocarro ia na direcção oposta e eu segui para outro lugar num Ambassador (um automóvel popular fabricado na Índia).
Por que razão tirou uma fotografia a preto e branco utilizando película?
Comecei a trabalhar com película a preto e branco quando vivi na Ásia em 1988 e vejo este trabalho actual como uma continuação desse trabalho inicial e utilizei a mesma película. Imprimo numa sala escura e faço a digitalização.
A sua fotografia muda consoante a sua localização geográfica?
A minha fotografia muda consoante a forma como quero representar a história e não consoante a localização.
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Feira de camelos Nagaur, Rajasthan, Índia, Janeiro/Fevereiro de 2011
© Gary Knight. Embaixador da Canon
Fotografia tirada com EOS-1V; EF35 mm f/1,4L USM, Exposição 1/125, f/5,6, 35 mm, ISO 400  
Esta fotografia foi tirada de uma posição bastante elevada – por que razão escolheu este ângulo?
Fotografei este local de muitos pontos de vista e não tenho a certeza do seu sucesso. Queria mostrar a escala e o contexto da feira de camelos, o que era difícil ao nível do solo. O edifício em que estava era o único edifício alto na cidade, subi até lá com algumas crianças indianas (era na sua escola) e tirei algumas fotografias.
Por que razão utilizou uma objectiva de comprimento focal fixo para estas duas fotografias?
Utilizei zooms em guerras em que é necessária alguma flexibilidade, mas actualmente só uso objectivas de comprimento focal fixo. 99% do tempo trata-se de uma objectiva com um campo de visão da objectiva de 35 mm numa câmara de 35 mm, neste caso a EF35 mm f/1,4L USM. Gosto do toque convencional do campo de visão, da perspectiva plana e da proximidade com que se pode trabalhar. Também a conheço bem e, por isso, não tenho de me preocupar em fazer escolhas. Não há escolhas!
Quais são os teus planos para 2012? Vou continuar a trabalhar no meu projecto sobre a Ásia e espero publicá-lo dentro de alguns anos. Também vou continuar a trabalhar numa série de fotografias de paisagens e fotografias aéreas a cores que investigam a imigração nos EUA.
Geralmente, quanto tempo por ano dedica a um trabalho?
Passo cerca de 4 meses a fotografar, mas trabalho de acordo com a minha própria agenda - não procuro trabalhos por poderem ser demasiado prescritivos. Prefiro satisfazer a minha própria curiosidade.


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