Michael "Nick" Nichols é conhecido principalmente
pela sua perspetiva ambiental, que se adequa
bem à sua atual função de "editor freelancer" da
prestigiada revista National Geographic. Conver-
sámos com este Embaixador da Canon numa pausa
durante um
trabalho para fotografar leões em África.
Como se iniciou na fotografia? Inicialmente, foi o meu professor de artes na
escola secundária que me inspirou e incentivou.
Comecei pela pintura, mas assim que tirei uma
fotografia soube que essa era a minha vocação.
Depois, tive a sorte de o excelente fotógrafo de
direitos civis, Charles Moore, ser da mesma
pequena cidade no Alabama que eu, sendo que
ele me abriu portas e me colocou em contacto
com um jornalista.
As questões ambientais foram sempre o
seu tema de eleição? Não foi uma decisão consciente, embora eu
sempre tenha sentido uma ligação com a
Natureza. Eu queria ser fotógrafo e aprender.
Fiquei obcecado por
fotografar grutas, o que me deu um tema e
uma área iniciais para trabalhar como profissional.
Só quando estava nas montanhas do Ruanda
com os gorilas estudados por Dian Fossey, é
que percebi que podia ser uma voz. Eu podia ser
a voz daquilo que estamos a perder.

Uma jovem tigre fêmea, recentemente rejeitada
pela progenitora, procura alívio dos tórridos
50 graus numa poça estagnada com folhas e
urina de macaco, antes da chegada da muito
aguardada estação das monções. Parque Nacional
de Bandhavgarh, Índia, 1996.
© Michael Nichols/National Geographic. Embaixador
da Canon Fotografado com a EOS-1N com EF 24 mm
f/2,8,
Exposição 1/30,
f/5,6, 24 mm, ISO 64
Qual é o contexto da fotografia da tigre fêmea? Esta fotografia foi tirada durante a primeira grande
crise dos tigres. Na altura, as fotografias costumavam
ser tiradas em cima de elefantes, o que era muito
limitador. Normalmente, um tigre não deixaria tirar
uma fotografia deste ângulo. Os animais reagem
aos humanos de forma muito diferente. Os leões
são extremamente confiantes, os tigres não gostam
de
ser vistos. Perguntei aos mahoots de elefantes locais
onde estavam os furos de água escondidos, montei
equipamento em todos e este foi o resultado. Os
disparos
permitem obter imagens íntimas dos animais, quando
estes não se
sentiriam confortáveis com a presença de humanos.
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Uma Coruja Manchada do Norte é atraída por um investigador numa jovem floresta em Humboldt County, Califórnia, EUA, 2008. © Michael Nichols/National Geographic. Embaixador da Canon Fotografia tirada com EOS-1D Mark III; EF 17-40 mm f/4L USM, Exposição 1/15, f/9, 28 mm, ISO 200
Pode descrever o contexto desta fotografia?
Participei num projeto de dois anos em florestas costeiras para a National Geographic. As árvores estavam a ser cortadas por motivos económicos de forma não sustentável. O que as salvou não foi a ameaça de extinção, mas sim a coruja aqui fotografada, que estava em perigo e que foi depois protegida. Corujas com 10 anos tinham mais direitos do que árvores com 1500 anos. A Coruja Manchada do Norte tornou-se um símbolo para os ambientalistas.
Como ultrapassou os problemas técnicos inerentes à captura desta imagem? Não sou especializado em fotografar aves. Por isso, pedi a colaboração de um cientista que estava a monitorizar a população de corujas para os madeireiros. Normalmente, nunca se veem corujas. Por isso, ele utilizava ratos brancos espetados num pau como isco. A partir daí, construímos uma plataforma na parte superior da câmara para colocar os ratos. Mas depois o problema era que os meus reflexos não eram suficientemente rápidos para tirar a fotografia no momento certo, quando a ave era atraída para a câmara. Por isso, instalámos disparadores com um feixe de infravermelhos para disparar a câmara e definir a focagem manualmente para onde o feixe fosse acionado.
Por fim, era necessário dispor da iluminação correta. Com três flashes estroboscópicos Canon para a coluna e dois flashes estroboscópicos de estúdio para o fundo. Foi necessário algum tempo para afinar a imagem. Esta foi a quarta da série. Não fiquei totalmente satisfeito com a luz na coruja. Por isso, voltei passados alguns meses com flashes estroboscópicos de estúdio maiores, mas eram demasiado lentos e a coruja aparecia desfocada.
Em que projeto está a trabalhar atualmente? Tenho estado a trabalhar num projeto sobre leões no Serengeti para a National Geographic. Estou a filmar dois grupos; um está bem, mas o outro está com dificuldades. A minha tarefa é mostrar os leões como nunca os vimos antes. Estou a tentar evitar as fotografias normais de leões com teleobjetivas e entrar na pele deles. Aplico todos os conhecimentos que adquiri, e, 30 anos depois, penso que estou qualificado. Assim, as fotografias são tiradas de baixo, de perto e à noite com infravermelhos. Em última análise, espero consciencializar os leitores para que as lições da natureza sejam aprendidas.
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