ENTREVISTA COM JEFF ASCOUGH


A abordagem de Jeff Ascough à fotografia de casamentos resultou da frustração com os estilos existentes. E teve um impacto óbvio; entre muitos prémios, foi votado um dos 10 melhores fotógrafos de casamentos do mundo pela revista American Photo.

Como se iniciou na fotografia de casamentos?
Comecei na fotografia através do meu pai que tinha um negócio de fotografia. Uma cliente que retratei em agosto de 1989 pediu-me para fotografar o seu casamento, o que fiz, e graças a esse casamento pediram-me para fotografar outros.

Como descreve o seu estilo?
Diria que o meu estilo está mais próximo da fotografia de rua ou documental do que da fotografia de casamentos. Sou um apaixonado por fotojornalismo e documentários e acho que acabei por transportar o meu gosto por essas disciplinas para o dia do casamento.

Quem são as suas influências?
As minhas principais influências sempre foram grandes fotógrafos de rua e fotojornalistas; Henri Cartier-Bresson, Garry Winogrand, Don McCullin. Também gosto muito do trabalho de Antonin Kratochvil, Alex Webb e James Nachtwey.

Há alguma imagem que os casais peçam sempre?
Na verdade, não. Os meus clientes percebem que não tenho uma fórmula para fotografar e deixam quase tudo nas minhas mãos. Explico sempre que, para obterem o melhor de mim, têm de deixar-me trabalhar à minha maneira.

Como lida com os clientes que procuram fotografias mais tradicionais?
Não me incomoda fazer cinco ou seis imagens tradicionais de grupo ou pose para os meus clientes mas, se pretendem muito mais do que isso, normalmente aconselho outro fotógrafo que seja especializado num estilo mais tradicional. De qualquer modo, é incrivelmente raro que os meus clientes me peçam muitas fotografias tradicionais e quando o fazem é normalmente devido à pressão dos seus familiares.
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© Jeff Ascough. Embaixador da Canon 
Fotografado com EOS 5D Mark II; EF50mm f/1,2L USM, Exposição 1/1250, f/3,5, ISO 800

O que se vê em segundo plano na fotografia?
Foi num casamento em novembro e foi tirada quando a noiva chegou à igreja com as damas de honor. Queria uma imagem mais gráfica do que as tradicionais fotografias da chegada, por isso procurei qualquer coisa para tornar a fotografia mais dinâmica e foi o que encontrei na 

janela do carro em que a noiva chegou. Fotografar o reflexo acrescentou os elementos gráficos que pretendia, e escolhi meia silhueta para acrescentar mais dramatismo ao céu.

Porque utiliza tanto o preto e branco nas suas fotografias?
Prefiro preto e branco. Cresci com ele e é o suporte pelo qual tenho o maior respeito. Utilizo muitos elementos na composição das minhas fotografias que são sempre realçados pelo preto e branco. Na verdade, vejo as imagens em termos de linhas e formas, mais do que cores e tons, pelo que penso que é bastante natural transpor isto para o preto e branco.

Quantas das suas fotografias são planeadas? Nunca nada é planeado. Normalmente, vejo uma potencial fotografia e exploro-a, o que pode significar ajustar os ângulos da câmara para realçar diferentes partes da composição. Nunca vou para um casamento com ideias pré-concebidas sobre o que vou fotografar ou como vou fotografá-lo. Se o fizesse, iria provavelmente ficar muito desiludido.
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© Jeff Ascough. Embaixador da Canon Fotografado com EOS 5D Mark II; EF24-70mm f/2,8L USM, Exposição 1/2000, f/5,6, ISO 800

Qual é a história por detrás desta fotografia?
As damas de honor estavam a chegar à igreja e queria mostrar isso, o carro que utilizaram e as condições atmosféricas. Reparei nesta fotografia quando a dama de honor levantou o vestido para caminhar na estrada molhada. Foi o sapato que me chamou a atenção e, como tal, foi só uma questão de incluir o carro e tinha a minha fotografia.

Como é que as condições atmosféricas afetam o seu trabalho?
Não afetam. Estou totalmente satisfeito e confortável a trabalhar em quaisquer condições - adoro a variedade que temos no Reino Unido. Seria incrivelmente aborrecido se tivesse sempre o mesmo tempo todos os fins-de-semana. Chuva, neve, granizo, sol, nuvens - não faz qualquer diferença.

De que modo o aumento do intervalo ISO das câmaras alterou o modo como fotografa?
As câmaras permitem-me utilizar objetivas mais lentas, o que tem sido uma grande vantagem para mim. Antes, utilizava aberturas muito rápidas para muito do meu trabalho com pouca luz, o que era sempre muito limitado - não quero ver todas as imagens fotografadas com uma grande abertura a f/1,4! Prefiro trabalhar no intervalo f/2,8 – f/5,6 para ter alguma profundidade na fotografia. As câmaras mais recentes permitem-me fazê-lo. As objetivas mais rápidas também são normalmente maiores e mais pesadas, e eu prefiro trabalhar com material mais pequeno e leve para ser menos intrusivo na cobertura. As pessoas reagem de maneira diferente a objetivas pequenas.

Que equipamento leva para um casamento?
Dois corpos principais (EOS 5D Mark III) e um suplente que fica no carro (EOS 5D Mark II) e objetivas que se sobreponham, para o caso de existir algum problema com uma delas. Assim, utilizo a EF 16-35mm f/2,8L II USM, a EF 50mm f/1,2L USM, a EF 85mm f/1,8 USM e a EF 135mm f/2L USM. Também tenho uma EF 24-70mm f/2,8L II USM suplente e algumas soluções pouco usuais como a EF 8-15mm f/4L Fisheye USM e a TS-E 45mm f/2,8 de Inclinação e Desvio que posso utilizar quando tenho tempo para fazer algumas experiências, o que não acontece frequentemente.

Que objetiva utiliza mais?
Fotografo 90% dos casamentos com a EF 16-35mm f/2,8L II USM, a EF 50mm f/1,2L USM e a EF 85mm f/1,8 USM, são as objetivas que tenho sempre comigo. Prefiro trabalhar com apenas dois corpos e essas três objetivas. Parece-me que ter muitas objetivas para escolher pode causar confusão e perde-se muita intuição. Ter menos objetivas torna tudo mais claro para mim, até ao ponto em que as objetivas passam a ser secundárias para a fotografia. Já nem sequer penso noutras opções de objetivas porque se tornou muito natural para mim trabalhar desta forma.

Já se sentiu tentado a explorar profissionalmente outras áreas da fotografia?
Na verdade, não. Adoro fotografar paisagens e fotografia de rua, mas, realisticamente, não há trabalho suficiente para mim nessas áreas. Tenho uma vida bastante boa com os casamentos e vejo-o como a minha profissão. Também penso que fazer disto a minha principal área de especialidade me ajudou a manter-me concentrado como fotógrafo e empresário nos últimos 24 anos.


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