A natureza morta é uma área fascinante da fotografia. O que pode começar por uma simples fotografia de um item muito apreciado (um fruto ou um ornamento), pode tornar-se numa paixão com direito a um estúdio completo.
Há várias sugestões simples que podem fazer sobressair as suas fotografias de natureza morta. Este tutorial aborda as seguintes áreas:
• Comece de forma simples
• Fundo
• Iluminação natural
• Faça experiências com a iluminação
• Equilíbrio de brancos
• Profundidade de campo
• Motivos para fotografar
O tempo parou, © Dario Sastre Martinez 2010, Canon EOS 450D
Comece de forma simples
Crie uma composição interessante com, por exemplo, um sortido de frutos coloridos, alguns ornamentos ou pequenos itens do quotidiano, e está pronto para começar a fotografar. Outro nome para trabalhos com natureza morta é fotografia de mesa. Até pode ser uma pequena mesa, que possa movimentar com facilidade. É o melhor estúdio de principiante. Comece por colocar a mesa perto de uma janela. Uma janela virada ao norte é o ideal - irá oferecer-lhe uma luz suave.
Fundo
Necessita de um fundo. Se fotografar de um ângulo elevado o próprio tampo da mesa pode servir de fundo. Tente várias alternativas, cobrindo a mesa com tecido ou cartão adequado. Se fotografar de um ângulo mais baixo, coloque uma folha de cartão em curva desde o tampo da mesa e apoie a extremidade superior contra uma pilha de livros ou as costas de uma cadeira. Este tipo de fundo fotográfico é denominado de "curva infinita", uma vez que não existem juntas e, na fotografia, parece interminável. Pode comprar folhas de grandes dimensões de cartão flexível, de várias cores, na maioria das lojas de arte.
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Obter a iluminação adequada pode ser tão simples como escolher os motivos, o suporte ou até mesmo o fundo.
Utilize a luz da janela, certificando-se de que todas as luzes da divisão estão desligadas. Coloque a mesa e o motivo de modo a que a luz ilumine um lado do motivo e, depois, fotografe diretamente de frente para o motivo.
Pimenta, © Claus Bay Eriksen 2010, Canon EOS 400D
O efeito da luz irá depender das dimensões da divisão e das suas superfícies. Se as paredes e o teto forem brancas, muita da luz da janela irá ser refletida pela divisão em que está a fotografar e iluminar o lado do motivo mais distante da janela. Em divisões maiores ou mais escuras, os lados do motivo mais afastados da janela estarão mais na sombra.
Alguns motivos de natureza morta ficam muito bem com um contraste forte entre as zonas claras (destaques) e as zonas escuras (sombras). Contudo, se o contraste for demasiado profundo, pode iluminar as sombras com um refletor. Coloque simplesmente uma folha de cartão branco apoiada em alguns livros perto do lado do motivo que está na sombra. A luz da janela será refletida pelo cartão, para as sombras. Altere a distância entre o cartão e o motivo para controlar a quantidade de luz refletida que ilumina as sombras.
A vantagem de uma pequena mesa para fotografia de natureza morta é que pode movê-la para obter diferentes efeitos de iluminação. Rode a mesa para que a luz da janela ilumine mais a parte da frente do motivo. Esta medida deve eliminar a necessidade de um refletor. Faça experiências com diferentes posições da mesa – o que funciona para um motivo pode não ser o melhor para outro.
Faça experiências com a iluminação
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A luz de uma janela é boa, se conseguir fotografar durante o dia. Durante a noite, é necessário encontrar outros tipos de iluminação.
Um flash eletrónico pode ser eficaz, mas apenas se estiver localizado longe da sua EOS. É preferível não utilizar o flash integrado da câmara – pode resultar numa iluminação monótona do motivo e eliminar alguma da atmosfera envolvente.
Existe um acessório chamado Cabo da sapata externa OC-E3. Trata-se de um cabo de extensão em espiral que lhe permite colocar uma unidade de flash Speedlite a até 80cm da câmara. Em alternativa, pode utilizar o transmissor Speedlite ST-E2 ou ST-E3-RT. Trata-se de unidades sem fios que podem ser colocadas na sapata da câmara e controlam um ou mais Speedlites remotos. Deste modo, os Speedlites podem ser utilizados com softboxes e refletores e permitem um controlo total sobre a iluminação.
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Uma iluminação de flash cuidadosamente equilibrada melhora as fotografias de natureza morta
Equilíbrio de brancos A cor da iluminação varia consoante a fonte, como a luz do dia. Mas até a luz do dia varia; é mais quente (mais vermelha) ao nascer e ao pôr-do-sol do que a meio do dia, quando é mais fria (mais azul). A luz num dia nublado, ou à sombra num dia de sol, também é mais fria. A estas diferentes cores dá-se o nome de temperatura da cor da fonte de luz.
Do mesmo modo, as fontes de luz artificiais têm diferentes temperaturas de cor. A luz de lâmpadas de tungsténio é cor-de-laranja enquanto as lâmpadas fluorescentes criam uma luz verde.
Os olhos humanos adaptam-se automaticamente a estas diferenças de temperatura de cor e, normalmente, a função "AWB" (Auto White Balance) (Equilíbrio de brancos automático) da sua EOS também as reproduz com êxito. Se estiver a fotografar ficheiros RAW, não é fundamental definir um equilíbrio de brancos exato – pode ajustar esta definição quando visualiza a imagem no software Digital Photo Professional (DPP) da Canon no seu computador. Se estiver a fotografar ficheiros JPEG, necessita realmente desta definição. Fotografe várias imagens com diferentes definições de equilíbrio de brancos e estude as imagens na parte detrás da câmara para ver as definições que conseguem os melhores resultados.
Contudo, quando está perto de um motivo colorido, irá obter resultados mais exatos com o equilíbrio de brancos personalizado. Definir o equilíbrio de brancos pode variar um pouco em diferentes modelos de câmaras mas, essencialmente, trata-se de encher completamente o enquadramento com uma folha de papel ou cartão branco e tirar uma fotografia. A câmara utiliza esta imagem neutra para definir o equilíbrio de brancos personalizado. Também pode utilizar esta funcionalidade para controlar deliberadamente o equilíbrio de cores das suas fotografias, adicionando cor-de-laranja/castanho para dar um aspeto antigo às imagens, por exemplo.
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A outra definição importante da sua câmara para fotografias de natureza morta é a profundidade de campo. Trata-se da área do motivo que está focada.
A objetiva só consegue focar um plano da imagem, por isso, apenas a parte do motivo que focar ficará nítida. Contudo, há uma área à frente do plano de focagem e uma área atrás do plano de focagem que estará apenas ligeiramente desfocada. Ao olho humano, estas áreas aparentam estar nítidas. A esta área de focagem aparente damos o nome de profundidade de campo e muda consoante alteramos a abertura. Aberturas menores, f/16 ou f/22 por exemplo, proporcionam uma maior profundidade de campo; aberturas maiores, f/2,8 e f/4 por exemplo, proporcionam uma profundidade de campo mais limitada.
O meu primeiro portátil, © H. J. Epskamp 2010, Canon EOS 50D
Outro fator que afeta a profundidade de campo é a distância entre a objetiva e o motivo. Se focar mais perto, movendo a câmara para mais perto do motivo, reduz a profundidade de campo. Normalmente, as fotografias de natureza morta são realizadas com a câmara relativamente perto do motivo. O que significa que a profundidade de campo será limitada e apenas uma pequena área à frente e atrás do ponto de focagem estará nítida.
Pode utilizar uma profundidade de campo limitada com especial eficácia. Se estiver a fotografar três peças de xadrez, por exemplo, numa composição que coloque cada peça a distâncias ligeiramente diferentes da câmara, focar uma peça irá deixar as outras duas desfocadas. Pode alterar a imagem focando numa peça diferente.
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Defina a sua EOS para o modo de prioridade de abertura AE (Av) para controlar a profundidade de campo. Defina a abertura máxima da sua objetiva (o número f/ mais baixo) para obter uma profundidade de campo limitada. Defina uma abertura menor (um número f/ mais alto) como f/16, para obter uma maior profundidade de campo. Reveja as imagens que fotografa para ver a diferença.
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A fotografia de natureza morta não é um apenas um exercício fotográfico. Pode ser um bom modo de aprender mais sobre iluminação, abertura e profundidade de campo, mas também tem aplicações muito práticas.
Por exemplo:
• É um bom cozinheiro? Pode fotografar os seus melhores pratos e guardar fotografias com as receitas. Dê uma vista de olhos em alguns dos muitos livros de culinária disponíveis. Pode encontrar inspiração nestas imagens de natureza morta de excelente qualidade e tentar encontrar o seu próprio estilo.
Doce tentação, © Robert Klein 2010, Canon PowerShot G3
• Se tem um seguro de recheio de habitação, fotografar estatuetas, joias e outros itens de valor pode ajudá-lo caso venha a precisar de fazer uma participação.
• Se vende em sites de leilões, ter imagens de natureza morta de boa qualidade irá fazer com que os seus itens se destaquem dos outros.
Quando chega o outono e o inverno, pode também ser um excelente projeto para os dias de chuva e para as noites frias. Acertar com a iluminação pode ser um desafio, mas as competências que adquire com imagens de natureza morta serão de grande valor para outras áreas da fotografia.
Tutorial canon
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